segunda-feira, 15 de maio de 2017



Baptista Bastos  (1934-2017)



 “ Morre-se de amor. Também se morre dessa doença cruel e implacável, que a sociedade moderna criou e parece não estar muito preocupada em exterminar - o desprezo pelos outros.”





segunda-feira, 8 de maio de 2017

Cronologia dos descobrimentos portugueses

Lisboa no Renascimento, a cidade global 

     

 “No século XVI a rua mais rica do mundo ficava em Lisboa, capital de um vasto império ultramarino. Jóias, porcelanas, sedas, especiarias e outras mercadorias exóticas importadas de África, do Brasil e da Ásia estavam à venda na rua Nova dos Mercadores.”



Um estaleiro naval do século XVI

No centro do espaço urbano da Lisboa dos descobrimentos foi descoberta uma estrutura intrincada de madeira que corresponde a um antigo estaleiro. Os arqueólogos encontraram também madeiras reaproveitadas de um navio e outras relíquias do tempo.

sexta-feira, 5 de maio de 2017



               Fernando Pessoa, Mensagem


A visão pessoana de um Quinto Império nasce nos versos desta obra, épica, metafórica e profética. A Mensagem é o sonho de Portugal. «Sou um nacionalista místico, um sebastianista racional», escreveu o poeta sobre o único livro de poemas publicado em vida.

http://ensina.rtp.pt/artigo/mensagem-a-profecia-de-fernando-pessoa/




segunda-feira, 1 de maio de 2017


               
    Não é o trabalho, mas o saber trabalhar, que é o segredo do  êxito no trabalho. Saber trabalhar quer dizer: não fazer um esforço inútil, persistir no esforço até ao fim, e saber reconstruir uma orientação quando se verificou que ela era, ou se tornou, errada.
                                                                            

                                             

Um Ofício que Fosse de Intensidade e Calma

Um ofício que fosse de intensidade e calma 
e de um fulgor feliz E que durasse 
com a densidade ardente e contemporâneo 
de quem está no elemento aceso e é a estatura 
da água num corpo de alegria E que fosse   fundo 
o fervor de ser a metamorfose da matéria 
que já não se separa da incessante busca 
que se identifica com a concavidade originária 
que nos faz andar e estar de pé 
expostos sempre à única face do mundo 
Que a palavra fosse sempre   a travessia 
de um espaço em que ela própria fosse aérea 
do outro lado de nós e do outro lado de cá 
tão idêntica a si que unisse o dizer e o ser 
e já sem distância e não-distância nada a separasse 
desse rosto que na travessia é o rosto do ar e de nós próprios 

António Ramos Rosa



Calçada de Carriche



    Luísa sobe, 
sobe a calçada, 
sobe e não pode 
que vai cansada. 
Sobe, Luísa, 
Luísa, sobe, 
sobe que sobe 
sobe a calçada. 

Saiu de casa 
de madrugada; 
regressa a casa 
é já noite fechada. 
Na mão grosseira, 
de pele queimada, 
leva a lancheira 
desengonçada. 
Anda, Luísa, 
Luísa, sobe, 
sobe que sobe, 
sobe a calçada. 

Luísa é nova, 
desenxovalhada, 
tem perna gorda, 
bem torneada. 
Ferve-lhe o sangue 
de afogueada; 
saltam-lhe os peitos 
na caminhada. 
Anda, Luísa. 
Luísa, sobe, 
sobe que sobe, 
sobe a calçada. 

Passam magalas, 
rapaziada, 
palpam-lhe as coxas, 
não dá por nada. 
Anda, Luísa, 
Luísa, sobe, 
sobe que sobe, 
sobe a calçada. 

Chegou a casa 
não disse nada. 
Pegou na filha, 
deu-lhe a mamada; 
bebeu da sopa 
numa golada; 
lavou a loiça, 
varreu a escada; 
deu jeito à casa 
desarranjada; 
coseu a roupa 
já remendada; 
despiu-se à pressa, 
desinteressada; 
caiu na cama 
de uma assentada; 
chegou o homem, 
viu-a deitada; 
serviu-se dela, 
não deu por nada. 
Anda, Luísa. 
Luísa, sobe, 
sobe que sobe, 
sobe a calçada. 

Na manhã débil, 
sem alvorada, 
salta da cama, 
desembestada; 
puxa da filha, 
dá-lhe a mamada; 
veste-se à pressa, 
desengonçada; 
anda, ciranda, 
desaustinada; 
range o soalho 
a cada passada; 
salta para a rua, 
corre açodada, 
galga o passeio, 
desce a calçada, 
desce a calçada, 
chega à oficina 
à hora marcada, 
puxa que puxa, 
larga que larga, 
puxa que puxa, 
larga que larga, 
puxa que puxa, 
larga que larga, 
puxa que puxa, 
larga que larga; 
toca a sineta 
na hora aprazada, 
corre à cantina, 
volta à toada, 
puxa que puxa, 
larga que larga, 
puxa que puxa, 
larga que larga, 
puxa que puxa, 
larga que larga. 
Regressa a casa 
é já noite fechada. 
Luísa arqueja 
pela calçada. 
Anda, Luísa, 
Luísa, sobe, 
sobe que sobe, 
sobe a calçada, 
sobe que sobe, 
sobe a calçada, 
sobe que sobe, 
sobe a calçada. 
Anda, Luísa, 
Luísa, sobe, 
sobe que sobe, 
sobe a calçada. 


                          António Gedeão